QUEM É O AUTOR DO MAL?

De acordo com Sto. Agostinho, “do ponto de vista metafísico-ontológico, não existe mal no cosmos, mas apenas graus inferiores de ser, em relação a Deus, graus esses que dependem da finitude do ser criado e dos diferentes níveis dessa finitude”. E ainda Agostinho “O mal moral é o pecado. Esse depende de nossa má vontade. E a má vontade não tem “causa eficiente”, e sim muito mais, “causa deficiente”. Por sua natureza, a vontade deveria tender para o Bem supremo”.
Mas quem é o autor do mal? Se Deus criou todas as coisas, e se o mal existe, não é correto afirmar que Ele também criou o mal? Se Deus é amor e infinito em misericórdia, como poderia tê-lo criado? Se isso é assim, não seria o próprio Deus a fonte dos nossos males? O culpado da nossa desgraça?
Em Isaías 45.7, Deus diz: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas.” Aceitamos como verdade inegável esta afirmação de Deus. Agora, como devemos entendê-la?
Algumas pessoas têm usado este versículo para definir o caráter de Deus como um ser mal, até sugerindo que o Deus do Velho Testamento é malevolente e vingativo em contraste com Jesus, o bom e benevolente Deus do Novo Testamento. Tais conclusões contradizem as claras afirmações do Velho Testamento (“Bom e reto é o Senhor, por isso, aponta o caminho aos pecadores” (Sl 25.8)
A palavra “mal” em Isaías 45.7 vem de uma palavra original que pode ter vários sentidos. Neste contexto e em outros onde Deus faz ou traz o mal, a palavra significa “calamidade” ou “punição”. É o oposto de paz. Deus usaria Ciro para “abater as nações” (45.1). Em 45.8, Deus promete salvação (paz) e justiça (punição ou mal). Outros trechos usam a mesma linguagem. Os males que Deus ameaçou trazer em 2Rs 22.16 foram punições e calamidades (Js 23.15, onde aparece a mesma palavra no original).
Deus não criou o mal no sentido moral. “Pois tu não és Deus que se agrade com a iniquidade, e contigo não subsiste o mal” (Salmo 5:4-5). Deus não tenta ninguém, pois ele é a fonte de “toda boa dádiva e todo dom perfeito” (Tg 1.13-17).

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